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Tesouro direto e o seu bolso

22 de fevereiro de 2016 Cesar CorsoCesar Corso

Nem sempre é fácil entender como funciona o Tesouro Direto sem saber as principais regras para avaliar as suas opções. Veja como explicamos cada uma e aprenda a administrar melhor os seus investimentos.

Condições favoráveis

A inflação batendo na casa dos dois dígitos em 2015-2016, combinada com a baixa rentabilidade da caderneta de poupança e dos investimentos tradicionais oferecidos pelo bancos, têm feito do tesouro direto um porto seguro para os investidores mais conservadores.

Por isso, muitas pessoas passaram a procurar mais informações sobre como esse investimento pode ser realizado.

Para aplicar no tesouro direto, o primeiro passo é abrir conta em uma corretora. O tesouro nacional não vende títulos diretamente aos investidores, sem que estes estejam cadastrados a uma corretora credenciada.

Com o cadastro concluído, surgem novas dúvidas: qual título comprar? O que serve melhor para cada caso? Como evitar que o investimento em títulos errados possa significar perda de dinheiro? 

Regras para entender Tesouro Direto

Para começar a responder essas dúvidas, seguem algumas regras simples que podem ajudá-lo a entender os diferentes tipos de títulos oferecidos pelo tesouro:

  1. Tesouro Selic: estes títulos estão atrelados à variação da taxa Selic, que é a taxa básica de juros da economia no Brasil. Essa taxa é determinada pelo Copom, órgão do Banco Central, que se reúne a cada 45 dias. Conforme a variação da Selic, esses títulos poderão ter rendimento maior ou menor. Esse é o título considerado de menor risco; 
  2. Tesouro Pré-fixado: estes títulos apresentam uma taxa de juro pré-fixada no momento da compra. As taxas variam conforme o prazo de vencimento escolhido; basicamente, quanto maior o prazo, maior a taxa de juros recebida. Isso acontece caso você fique com o título até o seu vencimento. Mas, se você quiser vender o título antes do vencimento, a rentabilidade poderá ser reduzida ou aumentada, respectivamente, se os juros (SELIC) subirem ou caírem durante o período que você ficou com o título;
  3. Tesouro IPCA+: estes títulos apresentam uma remuneração atrelada ao IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) + juros. Estes juros são determinados no momento da compra. Os juros também irão variar conforme o prazo de vencimento de cada título. A cotação no preço deste título segue a mesma regra dos títulos pré-fixados, ou seja, se a tendência dos juros é de alta, o preço dos títulos cairá; se a tendência dos juros é de baixa, o preço dos títulos aumentará. Lembrando que essa regra vale apenas se o investidor vender o título antes do vencimento. Caso ele opte por mantê-lo até o vencimento, a taxa de juros que ele receberá é exatamente a taxa de juros combinada na compra do título, mais a variação da inflação do período.

A variação dos preços dos títulos pré-fixados e dos títulos atrelados ao IPCA pode causar uma surpresa desagradável, caso essa dinâmica não seja entendida pelo investidor. Quando existe aumento dos juros (SELIC) e a consequente queda no preço dos títulos, o investidor pode ser levado a pensar que está perdendo dinheiro e tomar a atitude de vender os títulos.

Nesse caso, a situação exige cautela, pois este não é o momento de se desfazer desse tipo de título. É importante ressaltar que os títulos pré-fixados e os atrelados ao IPCA não devem ser utilizados para investimentos de curto prazo ou para o dinheiro que precisa de resgate, pois a venda antes do vencimento pode realmente causar perda de parte do dinheiro investido.

Como utilizar cada tipo de título

Para facilitar a compreensão, segue abaixo uma tabela de como cada título pode ser utilizado:

TIPO DE TÍTULO

PRAZO DE VENCIMENTO

SUGESTÃO DE APLICAÇÃO

OBSERVAÇÕES

 

TESOURO SELIC

Varia conforme emissão do Tesouro Nacional

Dinheiro que precisa de liquidez (reserva para emergências)

Aplicar apenas dinheiro de liquidez, pois a rentabilidade é menor do que nos outros títulos. Recomendado para ciclos de alta da SELIC.

TESOURO PRÉ-FIXADO LTN

Vencimento em até 5 anos

Dinheiro para utilização em aquisições programadas

Evitar a venda desse título em momentos de alta de juros. Recomendado para ciclos de queda na SELIC.

TESOURO PRÉ-FIXADO –NTN-F

Vencimento maior do que 10 anos

Dinheiro para utilizar como renda, pois tem pagamento semestral de juros

Evitar a venda desse título em momentos de alta de juros.

TESOURO IPCA + JUROS PRINCIPAL

Vencimentos diversos

Dinheiro para utilizar no estudo de filhos ou para aposentadoria, quando for de longo prazo

Evitar a venda desse título em momentos de alta de juros. Recomendado para proteção contra inflação.

TESOURO IPCA + JUROS NÃO-PRINCIPAL

Vencimentos diversos

Dinheiro para utilizar geração de renda, pois tem pagamento semestral de juros

Evitar a venda desse título em momentos de alta de juros. Recomendado também para proteção contra inflação.

E o Imposto de Renda? 

Todos os títulos do tesouro tem incidência de Imposto de Renda no momento do resgate, sendo que as alíquotas de IR seguem a seguinte regra (as alíquotas incidem sobre o rendimento do título):

  • venda em até 6 meses após a aquisição: 22,5% 
  • venda entre 6 meses e 1 ano após a aquisição: 20%
  • venda após 1 ano de aquisição: 17,5%
  • venda após 2 anos de aquisição: 15%

Como posso resgatar os meus investimentos?

Como todos os títulos precisam ser negociados através da BMF&Bovespa, eles são registrados no nome do investidor e atrelados ao seu CPF. Para fazer o registro, o tesouro direto cobra 0,3% ao ano sobre o valor investido. Além disso, existe a cobrança de custódia que a corretora intermediária pode fazer. Essa taxa varia de corretora para corretora. Recomenda-se escolher uma corretora que cobre no máximo 0,1% ao ano.

O tesouro direto proporciona resgate diário, pois permite que a venda dos títulos seja feita em todos os dias úteis.

A Regra de Ouro

A regra de ouro aqui é: diversifique suas aplicações de acordo com o seu perfil de investidor, planos futuros e necessidades de resgate.


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