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Por que a queda da taxa de juros é benéfica para o país?

3 de abril de 2018 Roberto Seidel, CFP®Roberto Seidel, CFP®

A taxa básica de juros (Selic) chegou ao seu menor índice desde que começou a ser definido em 1986. No começo de outubro de 2016 tínhamos 14,25% ao ano de taxa Selic quando então começou a última sequência de corte de juros trazendo esse número para os atuais 6,5% ao ano.

Mas como se chegou a esse ponto?

 

Bom, primeiramente é preciso entender por que o governo baixa ou sobe essa taxa. São vários os fatores que influenciam nisso, mas um deles está relacionado com a inflação. Com a inflação em alta, o governo sobe a Selic para tornar o crédito mais caro, por exemplo, e com isso o comércio é desestimulado. Por outro lado, com essa taxa alta, os bancos e o governo que emitem títulos de investimentos pagam uma remuneração muito alta a quem investe nesses títulos e isso faz aumentar a dívida desses emissores. Logo, não é uma situação sustentável por muito tempo. Então é preciso se criar meios para se manter a inflação sob controle. Com a queda da inflação, o governo pode baixar a Selic e com isso proporcionar mais acesso ao crédito e maior aquecimento do comércio.

Mas o que isso significa na prática? Como essa taxa afeta a vida das pessoas?

Bom, com o consumo sendo estimulado, fomentam-se os investimentos industriais, geram-se mais empregos e, consequentemente, tudo isso resulta no maior crescimento do país. Ou seja, uma taxa de juros baixa significa uma economia mais sustentável para todos.

Do ponto de vista do mercado financeiro, o que muda com a Selic mais baixa?

É muito importante entender isso! Muitos têm na cabeça o objetivo de ter 1% de rendimento mensal independentemente do cenário da taxa Selic.

Na prática, isso é como usar uma aspirina para tratar tanto uma dor de cabeça quanto um câncer. Ou seja, em ambos os casos é preciso se avaliar melhor qual é a situação para só então decidir o que fazer

Quando se tinha a Selic a 14,25% ao ano, ter um rendimento de 1% ao mês era nada mais do que a obrigação de qualquer investimento financeiro. Mas agora com Selic a 6,5% ao ano, para se ter 1% de rentabilidade mensal, só se investindo em alternativas de maior risco.

No entanto, é fundamental entender o conceito de juros reais que é o que se ganha acima da inflação. Quando a Selic estava acima dos 14%, a inflação estava em 10% e isso resultava em juros reais em torno de 4% ao ano

Hoje com a Selic em 6,5%, a inflação está em 2,8% e isso resulta em juros reais na casa dos 4% também. Ou seja, os juros reais não mudaram muito, mas o número que você vê crescendo no seu extrato bancário é bem diferente. Seu investimento (o número que você lê quando acompanha a posição do seu CDB ou fundo de investimento) está crescendo bem menos (sim, isso é inegável e inevitável), mas, como a inflação (IPCA) caiu, ele tem um poder de compra semelhante ao que se tinha antes.

Isso é o mercado financeiro se amadurecendo! Na verdade estávamos mal acostumados com juros altos e achando que aquilo era bom, porque nossos investimentos financeiros cresciam facilmente sem risco algum. No entanto, o país estava se prejudicando dessa forma, pois se estava endividando muito. Com os juros atuais, mais baixos, é preciso se esforçar mais para ganhar mais, caso você queira ter juros reais bem mais altos. E isso exige risco, seja no mercado financeiro (aplicando em fundos de ações ou multimercados) ou seja investindo num negócio próprio (abrindo um comércio ou uma indústria). Não existe milagre. Quem quer buscar altos lucros, precisa assumir o devido risco!

Mesmo assim, o Brasil ainda tem uma das maiores taxas de juros do mundo! Ter juros baixos é a realidade de países extremamente desenvolvidos. Japão e Reino Unido, por exemplo, têm juros negativos. Você já se imaginou colocando dinheiro no banco tendo a certeza de que resgatará menos do que aplicou? Ou seja, nesses países, você paga para guardarem seu dinheiro!

Esse é o novo cenário. Esse é o caminho para o desenvolvimento de um país sustentável.

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