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Marcio Appel, da Adam Capital, fala sobre o cenário econômico no Investor Day

22 de março de 2018 PatrimonoPatrimono

Nesta semana, a Patrimono esteve em São Paulo para a 11ª edição do Investor Day, a fim de se manter informada de tudo que está acontecendo no mercado para te deixar sempre atualizado e bem informado.

Nesta quinta-feira, em uma das palestras que mais chamaram atenção, Marcio Appel falou sobre o cenário econômico e o posicionamento da Adam Capital frente ao mercado atual.

Em relação ao Brasil, Appel está otimista com a recuperação econômica do país. Entende que estamos no início de um movimento cíclico de crescimento, que ainda está baseado em consumo. Enxerga uma inflação baixa por muito tempo, o que permite que tenhamos taxas de juros reais muito abaixo do que estamos acostumados.

Acredita que ainda virá a ocorrer um grande fluxo de capitais para o Brasil, conforme as incertezas forem se dissipando, pois ainda possuímos ativos baratos em relação ao mundo. Isso poderia gerar um fortalecimento do Real no médio prazo, em que pese não esteja posicionado para isso.

Para a bolsa, Appel demonstra otimismo e vê espaço para continuidade do movimento de alta, atribuindo valor justo ao Ibovespa de 160 mil pontos. Do patamar atual, a queda dos juros no país proporciona um upside de 21,6 mil pontos. Outros 54 mil pontos derivariam da normalização dos lucros das empresas, em função do menor custo das suas dívidas e da alavancagem operacional decorrente da melhora econômica.

Quanto às eleições, não possuem posicionamento específico dada a característica de longo prazo das estratégias da Adam. Mas não acredita que haverá uma candidatura de esquerda viável, sendo que em função do momento da economia brasileira o novo presidente só precisa não atrapalhar para que sigamos nossa trajetória de crescimento.

Sobre o cenário global, que hoje representa cerca de 2/3 da rentabilidade dos fundos da Adam, Appel citou alguns cases que possuem exposição atualmente.

Comentou sobre a situação na Turquia, que muito se assemelha ao Brasil de alguns anos atrás: PIB acelerando mais que o adequado, aquecimento dos salários, inflação correndo solta, taxa de juros baixíssima e fazendo Swap Cambial para segurar o dólar. Some-se a isso a instabilidade política que o país vive. Possuem posições vendidas em Turquia.

Também possuem posições vendidas em México, que é um país basicamente exportador de automóveis para os EUA. A Adam não está otimista com a indústria de veículos de maneira geral, por uma menor utilização pelos jovens, e enxergam sinais de fadiga nas vendas de veículos. Appel citou também a dinâmica do Peso Mexicano, que tende a se depreciar quando os juros sobem nos EUA.

Em relação ao mercado americano, Appel encontra hoje um número maior de ações para se posicionar na venda. Isso pode sinalizar que o S&P esteja mais próximo ao valor justo, em que pese enxergue ainda alguma alta, na margem. Possuem posições compradas em ações de tecnologia (Amazon, Activision, Amgen) e de bancos (Bank of America, JP Morgan).

No que pese à estratégia de alocação, Appel é enfático em dizer que todas as decisões são tomadas com base em estratégias estruturais de longo prazo, com posições equilibradas. Além disso, recentemente criaram uma estrutura matemática que ele mesmo chama de artesanal, para otimizar cada vez mais o equilíbrio entre risco x retorno.

A Adam é uma gestora com mais de 28 bilhões sob gestão de Multimercados, o que a torna a maior gestora independente do Brasil nesta categoria. Com ritmo de captação de 1 a 2 bilhões de reais por mês, Appel acredita que em 24 meses é possível que todos os fundos da casa estejam fechados pelo capacity limitado.

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