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O custo da preguiça

20 de dezembro de 2017 Roberto Seidel, CFP®Roberto Seidel, CFP®

A maioria das pessoas sabe que a poupança está longe de ser a campeã de rentabilidade, mas ainda assim ela é a preferência nacional na hora de guardar dinheiro.

As opções para ter um investimento de fato, com segurança e mais eficiente são diversos, como: títulos públicos, fundos de investimentos e outros produtos que lhe podem ser explicados facilmente por um assessor de investimentos.

Mas, existem vários outros comportamentos que prejudicam o bolso de quem não dá a devida importância a algumas coisas simples e, assim, a preguiça ou inércia levam as pessoas a perder dinheiro.

Financiamento imobiliário, por exemplo. Por comodidade, muitas pessoas acabam optando pelo banco com o qual mantém relacionamento há mais tempo ou pela instituição financeira que tem parceria com a construtora do imóvel.

No entanto, se, em vez de pagar 11% ao ano, o comprador conseguir uma taxa de 10% num empréstimo de R$ 300 mil por 30 anos, a economia pode chegar a R$ 73 mil ao longo do contrato. Isso sem contar que a diferença na parcela poderia ser investida.

Esses dois casos (da poupança para aposentadoria e do financiamento imobiliário) são apenas dois exemplos. O que muda é o tamanho do “rombo”.

  • Dentro das menos custosas, deixar uma conta corrente aberta por 5 anos em um banco que não se usa, pode sair por uns R$600;
  • Usar apenas o celular para fazer ligações e ainda assim manter o pagamento mensal de assinatura de telefone fixo, pode representar um desperdício de uns R$3.600 ao longo dos mesmos 5 anos;
  • Deixar um apartamento de R$200 mil desocupado pelo mesmo período, entra no grupo dos maiores prejuízos. Se considerar o aluguel não recebido e mais os custos com condomínio, IPTU, manutenção e limpeza, a perda já vai pra casa dos R$100 mil;
  • Há ainda os que renovam seguro de carro sem comparar preços ou pagam multas em contas por preguiça de colocar em débito automático.

A aparente irracionalidade de algumas dessas decisões financeiras encontram explicações no comportamento humano. Todos nós temos dois impulsos internos que vivem em conflito: manter-se vivo e chegar ao fim da vida.

Então, quando surge um problema, queremos resolver aquilo rapidamente e gastando pouca energia. É o tal “empurrar com a barriga”. As pessoas até sabem que têm algo melhor, mas “amanhã vou fazer”. E o amanhã nunca chega.

A grande maioria quer acertar na melhor decisão, mas no dia a dia ocorre o conflito do lado frio, que tem toda a clareza do mundo do que deve ser feito; e o lado quente, que executa, mas está sempre envolvido com outras coisas mais fáceis, atraentes ou urgentes.

Enfim, as pessoas têm dificuldade de mudar a realidade e tendem a manter sempre tudo como está. E isso implica no custo da conveniência ou preguiça.

Pesa também outro aspecto da personalidade humana explorado pelo mundo corporativo: a aversão à perda. Depois que a pessoa se acostuma com alguma coisa, ela não gosta de abrir mão daquilo; as empresas que trabalham com amostra grátis e degustação trabalham com esse conceito.

E você? Tem alguma despesa que pode ser reduzida? Algum ganho que pode ser otimizado? Se tiver, vai deixar pra ver isso amanhã?


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