Como conseguir uma boa rentabilidade em tempos de juros baixos na renda fixa?

30 de maio de 2018 Daniel PinheiroDaniel Pinheiro

A melhor resposta para essa pergunta é “depende”. Isso não apenas porque existem diversos tipos de investimentos conservadores, sendo a renda fixa um deles, que podem ser feitos por pessoas físicas ou jurídicas, independente do volume financeiro, mas também porque alguns fatores devem ser levados em consideração antes de se montar uma carteira de investimentos.

Infelizmente, a maioria das pessoas desconhece conceitos simples sobre economia e investimentos e acaba deixando esse assunto para depois, muitas vezes por acreditar que é algo muito complicado e apenas para quem tem uma quantia relevante de capital.

É importante destacar que cada pessoa tem sua realidade, suas expectativas, seus objetivos e, principalmente, seu perfil de investidor.

Por conta disso, dificilmente duas pessoas com o mesmo montante financeiro teriam a mesma carteira de investimentos. O que se deveria considerar, portanto, não é apenas o volume financeiro, mas principalmente como fazer o dinheiro trabalhar melhor para si de acordo com as condições pessoais de cada um.

Como fazer o dinheiro render mais? É preciso correr mais risco para ganhar mais com os investimentos? Nem sempre.

Investimento está sujeito a capital não gasto, taxa de juros e tempo. Nesse sentido, quanto mais dinheiro guardado, naturalmente, mais dinheiro se terá.

Quanto maior a taxa de retorno (juros), mais rentabilidade se terá; quanto maior o tempo do investimento, maior será o efeito dos juros sobre o capital.

Em outras palavras, quanto mais dinheiro investir, quanto maior a taxa de retorno sobre capital e por quanto mais tempo o investimento perdurar, maior será o volume financeiro no futuro.

Dito isso, como conseguir uma boa rentabilidade em tempos de juros baixos na renda fixa? Destaque-se a relativização de juros baixos. Por exemplo, enquanto no Brasil se vive um momento de queda de juros, os norte-americanos vivem um momento de alta dos mesmos.

O Federal Reserve (Banco Central estado-unidense) aumentou a taxa de juros do país para um intervalo entre 1,5% e 1,75% ao ano. No entanto, vale ressaltar que, entre dez/2008 e março/2017, a taxa de juros nos Estados Unidos ficou entre 0,25% e 0,75% ao ano.

Já o Brasil passa por experiências nunca antes vistas em sua história. Uma delas é a diminuição dos juros para o seu menor patamar histórico. De meados de outubro de 2016, a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC) caiu de 14,25% ao ano para, no dia 22/03/2018, 6,50% ao ano.

O fato, portanto, da taxa de juros do Brasil ser a menor de sua história não significa que os investimentos renderão pouco, mas sim que, em se tratando de aplicações conservadoras, a rentabilidade hoje será inferior à rentabilidade que se teve nos últimos anos.

Contudo, a taxa de juros do Brasil, ainda que esteja em seu menor patamar histórico, ainda é muito maior do que a taxa de juros norte americana, por exemplo.

O famoso e desejado 1% ao mês em aplicações financeiras conservadoras não existe mais. No passado recente, bastava comprar títulos públicos federais pós-fixados (Letra Financeira do Tesouro) que se teria algo próximo disso.

Hoje, esse mesmo título remunera o capital em 0,50% ao mês (taxa bruta). Cada vez mais, portanto, faz-se necessário melhorar a forma de se investir e a única forma de tornar isso possível é através da educação.

Um exemplo matemático utilizando a calculadora do cidadão, no site do Banco Central, quando os juros do Brasil estavam em 14,25% ao ano, a poupança, na qual os brasileiros possuem mais de 600 bilhões de reais investidos, remunerava o investidor em 0,5% ao mês, mais a taxa referencial do Banco Central.

Ou seja, um investidor que aplicou R$ 100,00 na poupança em 02/01/2015 e resgatou o dinheiro em 04/01/2016 recebeu de juros 8,05%. A inflação nesse mesmo período foi de 10,70%.

Isso significa dizer que o investidor perdeu poder de compra com o investimento realizado, pois a inflação foi superior ao rendimento auferido na poupança.

Essa perda do poder de compra aconteceu com todos os brasileiros que investiram nesse mesmo período em produtos como certificado de depósito bancário (CDB), por exemplo, com taxa de remuneração inferior a 98% do CDI.

Atualmente, a poupança remunera o investidor em 4,55% ao ano, mais a taxa referencial. Apesar da poupança ser líquida de imposto de renda, o juro real dessa aplicação hoje, considerando a expectativa de inflação para 2018 (Relatório Focus de 11/05/2018) é de 1,10% ao ano, mais a taxa referencial, que hoje é de 0%.

Por outro lado, existem no mercado produtos emitidos por instituições financeiras que chegam a pagar pelo dinheiro do investidor acima de 6,22% ao ano em aplicações para um ano, já líquida de IR.

Para aplicações mais longas é possível obter taxas ainda maiores e com a mesma segurança da poupança, o Fundo Garantidor de Crédito.

As opções disponíveis no mercado são de fácil acesso para todas as pessoas. Com cinco mil reais, por exemplo, é possível obter rendimentos em aplicações conservadoras que chegam a pagar mais que o dobro da poupança.

A melhor forma de se fazer isso é com o auxílio de um especialista. Na dúvida, converse com o seu assessor de investimentos, com certeza ele poderá lhe ajudar nesta tarefa.


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