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Sou brasileiro e moro no exterior. Como investir os recursos?

22 de agosto de 2018 Ana KamilaAna Kamila

Quem reside no Brasil está num país emergente, em desenvolvimento econômico. E, como a economia do Brasil precisa evoluir, é considerado um país de maior risco perante os mercados desenvolvidos.

Por este motivo, para atrair investidores estrangeiros, a taxa de juros praticada aqui deve ser superior à taxa de juros de um país como os EUA, por exemplo, que está entre as maiores economias do mundo.

É natural que a reação do investidor brasileiro perante o cenário atual de juros gere um certo desconforto: a SELIC (Taxa Básica de Juros), em 2015, era 14,25% a.a.; hoje é 6,50% a.a.

O ganho nominal reduziu consideravelmente. É fase de adaptação e compreensão do ganho real. Mas e aquele brasileiro que foi viver o “Sonho Americano” e começou a investir suas economias lá fora? Está satisfeito com o retorno?

A economia dos EUA está com o crescimento acima do esperado, o que fez os juros ao longo dos anos subir de 0,50% a.a. para 2% a.a. É isso mesmo, 2% ao ano! Na vírgula, o juros atual pode variar entre 1,75% a.a. a 2% a.a. Essa é a remuneração dos investimentos indexados aos juros americano.

Nos países de primeiro mundo como Suíça, Japão e Suécia, as taxas de juros são negativas, ou seja, você paga para deixar o dinheiro guardado no banco. Então, você ainda acha pouco 6,50% a.a. no Brasil?

O brasileiro que mora no exterior e está acostumado com os juros no Brasil tende a direcionar parte dos seus investimentos para a moeda Real. Esse movimento pode ser positivo em alguns casos; para outros nem tanto. Alguns pontos a serem avaliados:

  • O investidor que não mora no Brasil tem o ganho 100% transformado em juros reais, pois não sofre a inflação do nosso país.

Lembre-se: nós, brasileiros, que investimos o dinheiro aqui no Brasil precisamos descontar a inflação sob o ganho acumulado nos investimentos. Ganhar 6,50% a.a. significa um ganho real aproximado de 2% a.a., baseado na inflação dos últimos 12 meses até junho, que é 4,39% a.a.

  • O cenário do câmbio também deve ser avaliado, pois há muita instabilidade perante a moeda dos países emergentes versus países desenvolvidos. Com isso, se o seu plano é morar por um prazo indeterminado nos EUA, é fato que todas as suas despesas e custo de vida serão em dólar. Logo, só faz sentido aplicar o seu dinheiro em real e expor o seu patrimônio ao risco de desvalorização cambial se a taxa for muito atrativa;
  • Uma estratégia para o investidor que mora no exterior, mas pretende voltar ao Brasil e usufruir do patrimônio em reais é guardar na moeda do país em que reside o valor destinado ao uso imediato e planejar os investimentos de longo prazo no Brasil.

Importante!

O Brasileiro que mora no exterior e pretende aplicar os recursos no Brasil deverá estar enquadrado nas regras da Receita Federal. O investidor é considerado não residente quando entrega a “Declaração de Saída Definitiva do País” ou permanece no exterior por um período superior a 12 meses consecutivos.

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