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O FGC (Fundo Garantidor de Créditos) e a sua nova regra

16 de janeiro de 2018 |

Ao se fazer investimentos financeiros sempre se enfatiza muito a importância de primeiro entender a segurança das aplicações para, só então, olhar para a rentabilidade.

Afinal, de nada adianta olhar apenas para o quanto algum investimento vai lhe retornar se você tiver um alto risco de perder tudo, não é mesmo?

A partir da década de 90, o estabelecimento de sistemas de garantia se tornou uma tendência no mundo. As autoridades tinham uma crescente preocupação com a estabilidade do sistema financeiro.

Por conta disso, implementaram instrumentos de acompanhamento, controle e a formação de redes de proteção. Por isso, hoje, o público mais conservador, que prefere investir apenas em renda fixa, tem a vantagem de ter uma proteção especial dada pelo FGC (Fundo Garantidor de Créditos).

O FGC foi criado no ano de 1995, quando o CMN (Conselho Monetário Nacional) autorizou a constituição de uma entidade privada, sem fins lucrativos, destinada a administrar mecanismos de proteção a titulares de créditos contra instituições financeiras. O fundo é mantido graças às contribuições mensais obrigatórias das instituições financeiras brasileiras.

Essa proteção é dada aos valores em contas correntes e aos seguintes títulos de renda fixa: poupança, letras de câmbio (LC), certificados de depósitos bancários (CDB), letras imobiliárias (LI), letras hipotecárias (LH), letras de crédito imobiliário (LCI), letras de crédito do agronegócio (LCA), etc.

Reparou que o primeiro dos investimentos que listei acima foi a poupança? É isso mesmo! É essa a segurança que a poupança tem!

Então, quando se fala que “a poupança é o que se tem de mais seguro”, “pelo menos na poupança sei que não vou perder” ou outras expressões nesse sentido, na verdade, é preciso saber que isso não é exclusividade da poupança. Os outros títulos mencionados acima têm exatamente a mesma segurança.

O valor dessa proteção é de até R$ 250 mil por pessoa (física ou jurídica) em cada conglomerado financeiro. Isso quer dizer que, caso o banco em que você mantenha suas aplicações venha a ter problemas de crédito e venha a falir, você receberá seu dinheiro de volta até o limite de R$ 250 mil.

Ou seja, se tinha R$ 130 mil num dos títulos descritos acima (poupança ou outro), receberá os R$ 130 mil de volta. Mas, se tinha R$ 300 mil ou R$ 2 milhões, receberá apenas R$ 250 mil.

O que deve fazer então quem tem altos valores para aplicar? Basta não deixar passar de R$ 250 mil em cada banco. Como o Brasil possui dezenas de bancos, é então possível deixar milhões sob a proteção do FGC, desde que se distribua os valores em diversas instituições financeiras.

Em 21/12/2017, houve um pequeno adendo a essa regra que estabelece teto de R$ 1 milhão de cobertura a cada período de 4 anos por CPF/CNPJ. Isso significa que o investidor só poderia usufruir de 4 garantias de R$ 250 mil ou 10 garantias de R$ 100 mil (e assim por diante) num período de 4 anos.

Passado esse período, o teto é restabelecido. Ou seja, na prática, seria muito improvável o investidor ficar desprotegido a não ser que as instituições em que ele aplicasse seu dinheiro quebrassem sucessivamente e todas dentro do mesmo período de 4 anos. Seria praticamente um caos no mercado financeiro (por isso, pouquíssimo provável).

É claro que isso não dispensa a escolha de instituições sólidas na hora de escolher onde fazer suas aplicações. Não é porque temos o FGC que vamos aplicar em qualquer lugar, né? Veja o FGC como o seguro do seu carro. Não é porque você tem seguro que vai sair dirigindo como um louco pelas ruas, não é mesmo?

Escolha boas instituições, com produtos de boas taxas de rentabilidade e saiba agora que pode dormir tranquilo com a segurança do FGC.

 

Photo credit: Got Credit on Visualhunt.com / CC BY

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