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Pedro Sales, gestor e sócio da Verde Asset, fala sobre economia e investimentos

22 de setembro de 2017 |

Nessa semana, a Patrimono teve o prazer de receber a Verde Asset Management, uma das mais vitoriosas gestoras da indústria brasileira de fundos e chefiada por Luis Stuhlberger. O convidado foi Pedro Sales, gestor responsável pela área de renda variável da Verde.

A gestora ficou bastante conhecida após o seu principal fundo, gerido por Stuhlberger, bater (de longe) o CDI histórico que, desde Jan/1997, rendeu 1.857%, contra 14.566% do Fundo Verde até Ago/2017.

Pedro falou sobre o cenário político-econômico e, principalmente, compartilhou seu conhecimento de mercado, mostrando como a gestora escolhe em quais empresas deve investir: a área de atuação da empresa, seu histórico e provável desempenho futuro, bem como seu valor de mercado são as etapas seguidas.

Ele e sua equipe, além de avaliarem as empresas através dos dados divulgados, fazem reuniões com os diretores e presidentes para entender as estratégias antes de tomar a decisão de investir nas empresas.

No que toca o cenário político-econômico atual, a expectativa, segundo ele, é bastante positiva, se considerarmos a continuação das agendas reformistas, como no caso da Reforma Fiscal e Previdenciária.

No entanto, Pedro vê nelas o principal risco na evolução econômica, pois, caso entre um governo anti-reformista nas próximas eleições (2018), a economia do País será diretamente afetada, causando, possivelmente, uma hiperinflação.

De todo modo, o cenário-base é de que seja qual for o governo eleito no próximo ano, a agenda de reformas seja mantida.

Dito isso, a previsão é que num prazo razoável – de dois a três anos – as taxas de juros e inflação se mantenham estáveis, pois o Brasil ainda tem muito espaço para crescer sem que seja necessário o aumento de investimentos, dado que as empresas têm capacidade de produção ociosa, de acordo com Pedro.

Sales ainda falou um pouco do cenário macroeconômico, enfatizando a China, que tem sido um dos principais investidores no Brasil. Ele disse que o país asiático muito provavelmente diminuirá a alavancagem e consequentemente freará seu crescimento e os investimentos no curto prazo, pois precisou se endividar bastante para ter esse crescimento exponencial nos últimos anos.

Portanto, é provável que entre os próximos quatro ou cinco anos eles diminuam os investimentos no Brasil… resta saber se isso será feito de forma gradual ou não.

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